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Técnico em enfermagem desenha em esparadrapos para acalmar crianças internadas

Em hospital de Campo Grande, o dom de Samuel ganhou fama e colegas de trabalho o acionam sempre que precisam

16/06/2021 23h11
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Por: Da redação Fonte: top midia news
Técnico em enfermagem desenha em esparadrapos para acalmar crianças internadas

A paixão por desenhar do técnico de enfermagem Samuel Barbiris Correa Portilho, de 27 anos, tem ajudado a acalmar crianças de várias idades atendidas no Pronto Atendimento Pediátrico ou internadas no Hospital Unimed Campo Grande. 

Samuel traçava mangás (histórias em quadrinhos japoneses) e, há alguns meses, descobriu o poder alegrar os pequenos com um dos seus hobbies favoritos: desenhar. Os delineados precisos são feitos em esparadrapos micropores, usados nos acessos para ministração de medicamentos, mas o primeiro desenho feito na unidade hospitalar foi em uma bolsa de colostomia. Foi depois dessa experiência que Samuel passou a desenhar nos esparadrapos. No início, fazia os desenhos entre uma tarefa e outra, utilizando apenas canetas esferográficas e marca textos para colorir, mas com o aumento da demanda de trabalho por conta da pandemia da Covid-19, o colaborador passou a fazer os desenhos em casa e a levar muitos deles prontos para o hospital. Ele também comprou um estojo de 36 canetinhas coloridas para dar mais vida  aos personagens. 

Famoso

O dom de Samuel “ganhou fama” no hospital e os colegas de trabalho muitas vezes o acionam, como um pedido de socorro para acalmar mais um ou uma pequena que passa por ali. Algumas crianças pedem desenhos mais específicos e difíceis, mas o colaborador tenta fazer o mais perfeito possível.

"Eu tento atender o pedido dessas crianças, porque afinal, elas estão ali fragilizadas, com medo, com dor e percebo o quanto os desenhos mudam o astral delas. Nós estamos ali para cuidar das pessoas, mas é muito gratificante poder oferecer algo a mais durante a assistência”, comenta. 

 
 

“Há alguns meses me deparei com um garotinho internado em nosso hospital que estava triste e com muita vergonha porque usava uma bolsa de colostomia. Então peguei uma bolsa nova e desenhei o “super foca”, um personagem que ele gostava. Depois disso ele ficou muito feliz e passou a mostrar a bolsinha para todo mundo”, conta. Mãe do pequeno Henrique, de 1 ano e 2 meses, a fotógrafa Taygra Nayara Martins Prates conta que ficou bastante surpresa com a iniciativa do técnico em enfermagem.

“O Samuel é incrível! Ele chegou com o desenho do Homem-Aranha e disse ‘vim trazer para o Henrique, para combinar com a roupa dele’, porque meu filho usava uma camiseta do personagem nesse dia”, conta, lembrando que nesse momento fazia uma videochamada com sua filha Maria Clara e que o profissional ainda disse para a garotinha escolher um desenho para ela também. “Ela escolheu uma pandinha com um coração”, destaca a mãe das crianças. 

“Receber esse adesivinho no curativo do bebê foi como se estivesse aquecendo meu coração, porque é uma forma de demonstrar que ele ama o que faz, que está tentando de algum jeito, naquele momento difícil, de dor, dar carinho em forma de desenho para acalmar a criança. É como se aquele curativinho fosse um ‘amiguinho’. A iniciativa me deixou mais tranquila. Meu filho fica passando a mão no desenho, é gratificante isso”, relatou Lúcia Pereira da Silva, mãe do Pedro, de 7 meses. 

Quando perguntamos sobre a reação dos pais, Samuel diz “eles me agradecem, me marcam nas redes sociais, deixam cartões de agradecimento e isso é muito gratificante”, finaliza.

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